LÍDERES EMPÍRICOS OU ESTRATEGISTAS? VOCÊ DECIDE!
Somos estudiosos sobre o comportamento de líderes
em organizações onde os resultados são
ótimos. E nós pesquisadores, levantamos o
“velho” tema: líderes estrategistas versus
líderes empíricos.
Caro leitor, você que convive ou conviveu com os dois
tipos, com qual dos dois você aprende mais? Qual dos
dois tipos você respeita mais pela inteligência,
sabedoria e acertos? A sua percepção contribuiria
significativamente para consolidar nossos estudos e melhorar
nossos ensinamentos na formação de líderes
nas organizações brasileiras.
Resumidamente, para ajudá-lo a opinar sobre o assunto,
irei esclarecer as diferenças.
Os líderes empíricos são aqueles que
se guiam principalmente por métodos próprios
para tomar decisões e raramente utilizam métodos
científicos que podem contribuir para fortalecer
times, produzir avanços e melhoria de processos e
resultados. A intuição é supervalorizada.
Não valorizam o investimento em tempo, motivação
e raciocínio analítico para processos estratégicos
e táticos estruturados. Usam mais o seu conhecimento
e experiência e nem sempre consideram a experiência
dos outros. O investimento no tempo para formar times comprometidos
e competentes de acordo com alvos claros e rotas bem definidas
é escasso. Não medem ou monitoram principalmente
os ativos intangíveis ou se utilizam de indicadores
qualitativos. Interessam-se mais pelos indicadores quantitativos
financeiros e óbvios. Não conseguem estabelecer
relação causa-efeito entre ativos intangíveis:
resultados de clientes, de pessoas, de processos e de produtos.
Otimizam os processos reduzindo custos sem estudos claros
e precisos. Esse tipo de líder tem dificuldade para
analisar a relevância e priorizar , em meio a muitos
assuntos que surgem no dia-a-dia o que mais vai impactar
na eficácia e eficiência dos processos alinhados
à estratégia não valorizando o processo
decisório.
Sabemos que os líderes tomam muitas decisões
todos os dias. São muitas informações
e muitos não estão conscientes da importância
de identificar o que é relevante e importante. Em,
nossas observações identificamos que a competência
de discernimento é fator determinante para o sucesso
ou o fracasso desses líderes que conduzem e influenciam
outros para percorrer as rotas, às vezes impostas,
para conseguirem atingir metas.
Líderes estrategistas utilizam métodos
científicos
Nessa complexa tarefa de tomar decisões, pessoas,
estratégias, oportunidades ou ameaças são
os elementos vitais de um processo decisório. Líderes
bem-sucedidos investem tempo e energia para formar times
competentes e para isso se apóiam em métodos.
Os líderes estrategistas têm bem clara a performance
que querem melhorar e alcançar. Para tal finalidade,
desdobrar as estratégias e garantir que as ações
específicas sejam implementadas facilita a percepção
do todo em partes para a tomada de decisão. Melhorar
a precisão na tomada de decisões com velocidade
pode ser uma fonte de vantagem competitiva, pois muitas
atividades são subjacentes a tudo que as pessoas
fazem no trabalho. Os observadores sempre comentam como
líderes hábeis fazem tudo parecer tão
simples. Podemos dizer que tornam simples o complexo.
Entre alguns métodos para descrever como um líder
faz para progredir, um processo muito simples consiste em
quatro etapas: metas, realidade, opções e
caminho adiante – G.R.O.W.
(do inglês goals, reality, options, way forward).
Podemos chamar essas etapas de variáveis críticas
para tomada de decisão e obtenção de
resultados – críticas porque poderá
ser problemático deixar qualquer etapa de fora, e
variáveis porque o conteúdo dessas etapas
difere em situações diferentes.
O significado dessas quatro etapas consideradas como variáveis
críticas provêm da observação
do modo pelo qual os líderes e as organizações
tomam decisões. O líder e seu time têm
situações ou problemas atuais que desejam
modificar de alguma forma – a sua realidade. Definem
de que maneira gostariam que essa situação
fosse diferente – a meta. Em seguida, desenvolvem
meios para conseguir conter o desvio existente entre a realidade
e a meta – as suas opções. Em seguida
se comprometem com algumas ações, com base
nas opções com relação ás
quais dispõem de energia e nas quais acreditam que
geram os resultados – o caminho adiante.
Para o líder e seu time conseguirem resolver o problema,
as pessoas envolvidas devem passar por essas etapas:
. A meta – para chegar ao alvo e
resolver o problema de forma acertada.
. A realidade – para saber com quais
elementos estamos lidando.
. As opções – para
dispor dos meios para eliminar o desvio entre a realidade
e a meta.
. O caminho adiante – teremos um
sentido claro passo a passo e comprometimento para cada
ação definida.
Os líderes que enfatizam processos estruturados,
métodos científicos, como o exemplo citado,
investem tempo, aprendem, têm vontade, energia e dominam
as situações pelo conhecimento e prática.
Os líderes que conseguem visualizar os problemas
– dar a devida atenção a eles com o
time de trabalho resolvem os problemas definitivamente e
os responsáveis administram as causas positivas e
controlam as negativas.
As empresas estão a meio caminho de uma transformação
revolucionária. O ambiente da era da informação,
tanto para organizações do setor de produção
quanto para as do setor de serviços, exige novas
capacidades e competências para assegurar o sucesso
competitivo.
As lideranças que utilizam métodos associados
às estratégias organizacionais conseguem esclarecer
e traduzir a visão, planejando passo a passo, alinhando
as ações para tomada de decisões e
melhorando continuamente o feedback e o aprendizado contínuo.
Que tipologia de líder, caro leitor, contribuiria
para seu aprendizado e desenvolvimento das suas competências?
Aguardo a sua opinião.
Autor: Marco Antonio Lampoglia
Psicólogo, filósofo, doutor em Gestão Estratégica e Liderança
Diretor e Consultor da Active Educação e Desenvolvimento Humano
*Permitido a reprodução desde que citada a fonte