Transformar o chefe em um lÍder
É muito difÍcil , mas vale a pena!
A Active Educação e Desenvolvimento Humano,
empresa que atuo, vem se dedicando ao estudo e práticas
de Liderança há mais de quinze anos. O trabalho
de Coaching Personalizado a executivos vem sendo muito solicitado.
Normalmente, a pergunta ou queixa inicial dos diretores
e gerentes que nos procuram é : é possível
eu deixar de ser um chefe para ser um excelente líder
? Digo que sim , mas pergunto, por que você quer mudar
? A resposta que mais ouço é que as pessoas
com quem ele trabalha querem muito que ele mude. Dizem que
“sou centralizador , só confio em mim mesmo,
tenho resposta para tudo, só eu penso e eles se movimentam
do pescoço para baixo”. Frases como essas são
comuns não só na “sala de coaching”
como também nos corredores das empresas . Pergunto
ao cliente: Você quer mudar ? Claro ! Pois não
estaria diante de você . Poxa ! Temos um bom início
.
Às vezes comparo a mudança de comportamento
como alguém que teve que emagrecer de 120 para 80
kilos. A pessoa teve que mudar muito seus hábitos
e ainda tem que manter o seu peso depois de todo sacrifício,
isso é mais difícil ainda.
Caro leitor, sabemos que mudar atitudes e comportamentos
é tão ou mais difícil quanto emagrecer
ou para de fumar. Quando um diretor ou um gerente chega
à conclusão que precisa mudar é que
geralmente não está bem consigo e com as pessoas
que o cercam..
A abordagem do líder de ontem era um tomador de decisão
e alocador de recursos que perguntava a melhor maneira de
explorar as habilidades de um funcionário em proveito
da organização. Os funcionários eram
vistos como ferramentas e recursos para o atingimento de
metas do chefe. O líder atual é um desenvolvedor
de pessoas e construtor de relacionamentos duradouros. Abre
mão do poder de posição e age potencializando
o seu poder pessoal. A verdadeira forma de liderança
é influenciar o indívíduo para que
trabalhe entusiasmado para atingir metas e o comprometimento
mutuo é fundamental como comportamento orientador.
Isso dito aqui é simples, mas sabemos que no dia-a-dia
acontece pouco. É preciso ser um John, personagem
do excelente livro “O Monge e o Executivo” ,
para reconhecer e fazer uma espécie de retiro para
mudar seus hábitos. O hábito da “compaixão”
, como nos ensina Dalai Lama, no livro a Arte da Felicidade
, é um valor fantástico para iniciar a aprendizagem
de se tornar um verdadeiro líder. O hábito
da “humildade”, sendo autêntico sem pretensão
ou arrogância. O hábito do “respeito”
tratando o outro como uma pessoa importante. E outros tantos
hábitos que alimentam a própria vida do líder
para alimentar a vida das pessoas que o cercam. A responsabilidade
pessoal do líder, começa com a autocompreensão,
que é essencial para poder administrar os pontos
fracos e desenvolver os pontos fortes. O líder tem
que reconhecer e aceitar as suas obrigações,
que acompanha o seu papel organizacional, e aprender a resistir
a qualquer tentação de abusar da sua posição
de confiança e poder. Abrir mão do poder para
ser autoridade torna-se para o líder aprendiz um
verdadeiro desafio. O conceito de poder é uma preocupação
para muitos líderes. Para alguns é como um
entorpecente, e para outros, uma fonte de fascinação.
Sabe-se que alguns indivíduos (e organizações)
movidos pelo poder podem ser definidos como bem-sucedidos
a curto prazo, mas as evidências cada vez mais estão
apontando para essas pessoas “as sementes de sua própria
destruição”.
Os líderes que forem capazes e competentes de combinar
ação com reflexão, desenvolvendo e
possuírem autoconhecimento suficiente para reconhecer
o vírus do poder, serão no fim os mais poderosos.
Serão lembrados com respeito e carinho. Serão
admirados por todos e terão lealdade. Empresas inteligentes
, poucas sabemos, estão investindo no desenvolvimento
sócio-emocional e espiritual dos líderes.
Para que eles se comportem com princípios, tais como
:
. Levar as pessoas e o seu trabalho a sério com respeito
e dignidade.
. Escutar, aprender e apreender com a liderança de
sua equipe de trabalho.
Na prática, o processo de liderança-servidora
enfatiza o consenso para se ter comprometimento (essa palavra
anda desgastada tanto quanto outras) e é o segredo
de uma melhor performance.
Conclusão : Ser um excelente líder
requer muito comprometimento e prática. “O
líder deve ser, conforme o que ensinamos, dignos
de confiança, respeitosos e preocupados, equilibrados
entre “agir” e ser”, emocionalmente letrados
e culturalmente autoconcientes. O líder também
deve encontrar tempo para se dedicar, a uma reflexão
honesta e contínua a fim de ser bem-sucedido. E o
mais importante , o líder deve assumir a responsabilidade
pelo desenvolvimento de novos líderes capazes de
desempenhar papéis de liderança no futuro.
Autor: Marco Antonio Lampoglia
Psicólogo, filósofo, doutor em Gestão Estratégica e Liderança
Diretor e Consultor da Active Educação e Desenvolvimento Humano
*Permitido a reprodução desde que citada a fonte